terça-feira, 28 de outubro de 2008

Nova Ortografia da Língua Portuguesa - Palestra


A nova ortografia da língua portuguesa já está aí. E com ela, uma enxurrada de dúvidas. O que mudará? O que não sofrerá alterações? Até quando podemos escrever pela antiga ortografia?
São questões que realmente precisam ser esclarecidas.
Por isso, no dia 1º de novembro, sábado próximo, às 11 horas da manhã, José Pereira da Silva, Membro da Academia Brasileira de Filologia e Presidente do Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Lingüísticos, dará uma palestra no campus Nova América, da Universidade Estácio de Sá, quando abordará o assunto relacionado à nova ortografia da língua portuguesa que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2009.
Eis aí uma ótima oportunidade para se colocar os pingos nos "is".

Entrada franca.







segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Educação na era Eduardo Paes

Em uma das eleições mais acirradas da história do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) venceu o candidato do PV, Fernando Gabeira, com pouco mais de 55 mil votos. Para se ter uma idéia mais ampla do que isso significa, é o equivalente a mais ou menos um terço do Maracanã cheio em jogos importantes do Flamengo em campeonatos brasileiros.
Esporte e política à parte, o que realmente quero comentar é o fato de o novo prefeito afirmar que vai investir bastante na área de educação, e isso será muito bom. O fim da aprovação automática, que recebeu grande destaque durante a campanha de Paes, terá fim logo, logo, segundo o futuro prefeito. Se é que possível, pois isso acarretará muito gasto, uma vez que terá de contratar mais professores, o que ele também garantiu que fará, além de arranjar mais espaço físico para os possíveis alunos reprovados e mais os novatos. Os professores que se preparem, pois o índice de repetentes será enorme, superlotando as salas e deixando os mestres mais sobrecarregados ainda.
Concordo com o fim da aprovação automática, na verdade isso nunca deveria ter acontecido; que seja feita a vossa vontade! Paes que se prepare para consertar a lambança feita por seus antecessores.
“A aprovação automática é terrivel, encontrei mães dizendo que filhos de 12 anos não sabem ler. Vou fazer um grande debate conversando com o magistério para não irmos para o lado errado, com repetição de ano e evasão escolar. Mais professores serão contratados”, afirmou Paes. (Fonte: O Dia)
Vamos esperar pra ver.

(Foto: Carlos Wredde - Agência O Dia)

Por João Rodrigues

domingo, 26 de outubro de 2008

Com a colaboração de 173 autores, foi lançado na última Bienal do Livro em São Paulo, o Livro de Todos, com o título "O mistério do texto roubado". Moacyr Scliar escreveu o primeiro capítulo, e os demais 17 ficaram por conta dos internautas; a capa é do mundialmente conhecido Maurício de Sousa. Foi o primeiro livro coletivo escrito pela internet a ser publicado no Brasil.

Durante os 30 dias em que o site ficou no ar, 363 colaborações foram inseridas - mas apenas 173 aproveitadas - mais de 14 mil pessoas visitaram o site.

O livro conta a história de Bruno, um adolescente que sonhava em ser escritor, e, ao ganhar um computador, começou a escrever, mas teve seu texto roubado - e o computador também, é claro. O enredo gira em torna do mistério: Quem roubou o texto, e por quê?

"O texto foi roubado,mas o livro jamais desaparecerá. Tal como a palavra, as idéias,a vontade de contar ou ouvir histórias."

Alberto Dines - Jornalista (Texto de Quarta capa do Livro de Todos)


Sou um dos autores-colaboradores do livro, e fui ao lançamento na Bienal de São paulo. Eis na foto Moacyr Scliar e eu, na sessão de autógrafos.




sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Lasciva Lula de volta (na internet)



E para quem viu o Lasciva Lula e gostou e ainda sente saudades da banda que se desfez há alguns meses, o grupo resolveu dar um presente especial. Os fãs ganharam um site novo onde tem cinco músicas novinhas que o grupo deixou à disposição da galera para ouvir e fazer downloads. É só acessar www.myspace.com/lascivalula. Os cinco novos sucessos são: Vontade de beijar Caetano, Entre Gêmeos e Leão, O Mistério da Moça, Carta ao Cals e Família Feliz.
Acessem e confiram.

Postagem com autorização de Felipe Schuery - vocalista e compositor.

Educação a distância: o caminho mais curto

Na agitação do dia-a-dia do mundo moderno, onde o homem luta desesperadamente contra o relógio, contra o trânsito e mais uma infinidade de problemas do cotidiano, estudar a distância parece a melhor solução para quem quer concluir um curso de nível superior – ou mesmo qualquer outro curso – aproveitando o máximo de seu tempo, sem estresse e longe da violência das ruas.
Com a aprovação do MEC, esta idéia saiu do papel e pôs-se à prática, até agora com um alto e satisfatório índice de aprovação dos estudantes que escolheram este caminho mais curto, mais curto teoricamente, pois, na prática, levará o mesmo tempo da graduação convencional. A diferença é que a sala de aula é seu próprio escritório, e sua principal ferramenta é a internet, o que servirá de elo entre professores e alunos.
Segundo seus idealizadores, o ensino a distância veio para facilitar a vida do estudante, que pode controlar seu tempo, seu ritmo de aprendizado e se dedicar mais a tópicos específicos, e ainda sobrará tempo para se dedicar à família, ao lazer e a outras coisas pessoais, transformando o estudo em algo bem mais leve e satisfatório.
Na verdade, todos saem ganhando: governo, instituições e alunos. Mas, e os professores, o que acontecerá com eles? Terá espaço para todos? Será que o velho e bom professor cairá na virtualidade? Isso me faz relembrar o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, quando o capitalismo começava a fazer um esboço na Europa do século 18, logo após a Revolução Industrial, na Inglaterra. Pelo menos não terá mais que ficar apertando parafusos, o que certamente reduzirá o nível de estresse; não enfrentará mais a poluição sonora, nem congestionamentos; não terá mais emprego...
Outra questão é: Os novos graduados a distância terão espaço no mercado de trabalho? Ou sofrerão algum preconceito, o velho preconceito que ainda existe quando se trata de universidades públicas e privadas? As instituições que usam esse recurso garantem que não.
Isso, só o tempo dirá.

João Rodrigues

sábado, 11 de outubro de 2008

O velho do sebo

Um velho marinheiro, após ler toda sua biblioteca - me disseram - passou a viver atrás de sebos. Por ser marinheiro, acredito eu, resolveu freqüentar o "Mar de Histórias", um sebo em Copacabana, ao lado do posto da Cedae. Eu mesmo o vi lá por diversas vezes. Ora folheava um livro, ora comentava; com quem, não sei. Às vezes falava com um tal de Machado, outras vezes com um certo Ramos, outras ainda com Olavo... Numa certa manhã olhou pra mim e me chamou de Alencar. Por um instante achei que ele estivesse maluco; não nos conhecíamos, embora eu o já tivesse visto antes.
Certa tarde eu o encontrei a folhear "O navio negreiro". Olhava a capa, abria, folheava, se lia não sei, colocou-o na estante, pegou-o novamente. Dirigiu-se ao balcão e perguntou o preço. Devolveu ao seu lugar. E assim fazia com todos os livros que pegava. Fiquei curioso.
Sempre que eu passava naquele local lá estava o velho a folhear livros; nunca o vi comprar nenhum. Era sempre a mesma coisa: abria, folheava, perguntava o preço e o devolvia ao local. Às vezes parecia normal, às vezes parecia maluco, mas assim são os loucos, ou os sãos.
Um dia, ao entrar no sebo, meus olhos o encontraram. Seu olhar fitava o meu expressando uma certa melancolia que contrastava com o verde de seus olhos que buscavam, na prateleira, mais um amigo para conversar. Perdi a coragem de me aproximar. O seu braço, trêmulo, tentava lentamente se arrastar até o objeto desejado. Cheguei a pensar em oferecer-lhe ajuda, mas recuei. Talvez eu tivesse invadindo a privacidade daquele pobre homem, mesmo assim continuei observando. Quem sabe agora não fosse falar com Bilac, Rachel, Lins. Esperei. Finalmente sua mão trêmula alcançou uma... Bíblia. Ele soprou a poeira da capa, folheou-a e parou em Mateus e leu em voz audível: "Mateus 11:28: Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei". Dessa vez não perguntou o preço. Achei que tivesse esquecido. Fechou-a e devolveu à prateleira. Levantou ao céu um olhar de piedade e saiu.
Nunca mais o encontrei por lá.

Por João Ferreira

Natal por outro ângulo


As ruas estavam vazias. Lojas e shoppings decorados com árvores de Natal e milhares de luzes coloridas que piscavam intermitentemente. O clima natalino pairava no ar. Fogos de artifícios estouravam aqui e ali. Algumas pessoas ainda passavam correndo em direção ao lar. Certamente a ceia estava sendo preparada e os familiares as esperavam para a confraternização. A casa à frente tinha uma mesa farta, repleta de refrigerantes, cervejas, panetones, rabanadas e uma infinidade de guloseimas. Crianças correndo pra lá e pra cá brincando com seus presentes que o Papai Noel trouxera. Uma música animada convidava todos a uma dança. Meia-noite. Homens, mulheres e crianças se abraçavamm e trocavam presentes, bebiam e comiam à vontade. Confraternizavam-se. A TV começava a apresentar a Missa do Galo. A paz, a comunhão, a solidariedade.O Pivete certamente não conhecia aquelas palavras assim como também não sabia de que forma saciar sua fome. E saiu sozinho pelas tristes ruas de uma alegre noite de Natal.
Por João Rodrigues